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IBGE: desemprego cai 1,6 ponto percentual e atinge 12,6%

Por Paulo Jefferson em 01/12/2021 às 07:33:52

A taxa de desemprego atingiu 12,6% no terceiro trimestre deste ano, o que significa queda de 1,6 ponto percentual na comparaĆ§Ć£o com o segundo trimestre de 2021. O número de pessoas em busca de emprego no país recuou 9,3% e, com isso, chegou a 13,5 milhƵes. Os ocupados tiveram um crescimento de 4%, alcanƧando 93 milhƵes de pessoas. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), foram divulgados hoje (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, o crescimento da ocupaĆ§Ć£o no período foi relevante. “No terceiro trimestre, houve um processo significativo de crescimento da ocupaĆ§Ć£o, permitindo, inclusive, a reduĆ§Ć£o da populaĆ§Ć£o desocupada, que busca trabalho, como também da própria populaĆ§Ć£o que estava fora da forƧa de trabalho”, observou.

A populaĆ§Ć£o fora da forƧa de trabalho é o contingente daqueles que nĆ£o estĆ£o ocupados e nem buscando emprego. Com o crescimento no número de ocupados, o nível da ocupaĆ§Ć£o, que é o percentual de pessoas em idade de trabalhar que estĆ£o no mercado de trabalho, subiu para 54,1%, enquanto no trimestre anterior tinha sido de 52,1%.

Doméstico

De acordo com a coordenadora, dentro desse crescimento, a informalidade representa 54%. Os empregados do setor privado sem carteira assinada (10,2%), que somaram 11,7 milhƵes de pessoas, estĆ£o entre as categorias de emprego que mais cresceram na comparaĆ§Ć£o com o trimestre anterior. No mesmo período, o número de trabalhadores domésticos atingiu 5,4 milhƵes – o que equivale a uma expansĆ£o de 9,2%, o maior desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

No primeiro trimestre do ano passado, seis milhƵes de pessoas eram trabalhadores domésticos. Se considerados apenas os trabalhadores sem carteira, houve aumento de 10,8%, sendo 396 mil pessoas a mais.

Segundo Adriana Beringuy esse é um processo de recuperaĆ§Ć£o que jĆ” vinha ocorrendo desde junho. “A categoria dos empregados domésticos foi a mais afetada na ocupaĆ§Ć£o no ano passado e, nos últimos meses, hĆ” uma expansĆ£o importante. Embora haja essa recuperaĆ§Ć£o nos últimos trimestres da pesquisa, o contingente atual desses trabalhadores é inferior ao período pré-pandemia”, afirmou.

Conta própria

O contingente de trabalhadores por conta própria (3,3%) também cresceu. As 25,5 milhƵes de pessoas nessa categoria representam o maior número desde o início da série histórica da pesquisa. Aí estĆ£o incluídos os trabalhadores que nĆ£o têm CNPJ, que cresceram 1,9% ante o último trimestre. Com isso, a taxa de informalidade chegou a 40,6% da populaĆ§Ć£o. SĆ£o 38 milhƵes de trabalhadores nessa situaĆ§Ć£o.

Conforme a pesquisa, o crescimento na ocupaĆ§Ć£o também estĆ” relacionado principalmente às atividades de comércio (7,5%), que equivale a mais 1,2 milhĆ£o de trabalhadores; indústria (6,3%), 721 mil pessoas a mais; construĆ§Ć£o (7,3%) com 486 mil pessoas a mais; e serviƧos domésticos (8,9%), com adiĆ§Ć£o de 444 mil pessoas.

Rendimento

O avanƧo no número de pessoas ocupadas nĆ£o veio com melhorias no rendimento real habitual de todos os trabalhos. Ficou em R$2.459, uma queda de 4% relativo ao último trimestre e de 11,1% em relaĆ§Ć£o ao terceiro trimestre do ano passado.

Com o valor de R$223,5 bilhƵes, a massa de rendimento ficou estĆ”vel nas duas comparaƧƵes. Para a coordenadora, esses números indicam que o aumento da ocupaĆ§Ć£o foi puxado por postos de trabalho com salĆ”rios menores. “HĆ” um crescimento em ocupaƧƵes com menores rendimentos e também hĆ” perda do poder de compra devido ao avanƧo da inflaĆ§Ć£o”, completou.

RegiƵes

A queda na taxa de desocupaĆ§Ć£o do país se estendeu a todas as regiƵes. No Sudeste, que é a regiĆ£o com o maior número de pessoas desempregadas (6,3 milhƵes), a taxa passou de 14,6% no segundo trimestre para 13,1%. No Nordeste, saiu de 18,3% para 16,4%. Ainda assim, a regiĆ£o permanece tendo a maior taxa de desocupaĆ§Ć£o do país.

“Essa queda na desocupaĆ§Ć£o no nível nacional também estĆ” sendo observada regionalmente em vĆ”rios estados. Isso indica que hĆ” um processo de recuperaĆ§Ć£o de trabalho que ocorre de maneira disseminada no país”, disse.

Mesmo com a a maior taxa de desocupaĆ§Ć£o do país (18,7%), a Bahia apresentou estabilidade nesse indicador e no número de pessoas que estĆ£o buscando por uma vaga no mercado de trabalho (1,3 milhĆ£o). O número de ocupados do estado cresceu 6,5%. O motivo foi o aumento de trabalhadores domésticos (18,3%) e por contra própria (12,3%). Conforme a pesquisa, depois da Bahia, as maiores taxas de desocupaĆ§Ć£o foram registradas por AmapĆ” (17,5%) e Rio Grande do Norte (14,5%).

Entre os 93 milhƵes de pessoas ocupadas no Brasil, após a alta de 4,0% no terceiro trimestre, 66,4% de empregados, 4,1% de empregadores, 2,1% de trabalhadores familiares auxiliares e 27,4% de pessoas que trabalhavam por conta própria. Este último grupo foi maior no Norte (34,5%) e no Nordeste (31,1%). Conforme a pesquisa, dos 17 estados que tiveram taxas de informalidade maiores que a nacional, 16 sĆ£o do Norte e do Nordeste. O ParĆ” (62,2%) registrou a maior.

A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE disse que essas regiƵes, de maneira geral, têm um percentual grande desse tipo de trabalho. “A informalidade é maior nessas duas regiƵes. E esse perfil de trabalhador estĆ” contribuindo para a recuperaĆ§Ć£o do trabalho local. Parte importante do trabalho nessas duas regiƵes é atribuída aos trabalhadores informais, que tem nos trabalhadores por conta própria um contingente importante”, concluiu.

Pretos e pardos

Enquanto a taxa de desocupaĆ§Ć£o das pessoas brancas (10,3%) ficou abaixo da média nacional, a dos pretos (15,8%) e dos pardos (14,2%) teve movimento contrĆ”rio. Todos tiveram queda frente ao último trimestre. Os pardos representavam 46,8% da populaĆ§Ć£o fora da forƧa de trabalho, seguidos pelos brancos (43,1%) e pelos pretos (8,9%). JĆ” se comparada ao segundo trimestre, a participaĆ§Ć£o dos pardos diminuiu e a dos brancos e pretos aumentou.

Na comparaĆ§Ć£o com o terceiro trimestre do ano passado, o nível de ocupaĆ§Ć£o aumentou para todas as pessoas. Os brancos saíram de 51,4% para 55,8%, os pardos, de 46,7 a 52,1% e os pretos, de 49,0% a 55,6%.

ReponderaĆ§Ć£o

A divulgaĆ§Ć£o de hoje da Pnad Contínua é com base na nova série elaborada pelo IBGE, a partir da reponderaĆ§Ć£o das projeƧƵes por causa da mudanƧa na forma de coleta da pesquisa durante a pandemia da covid-19. Com as medidas de isolamento social em marƧo de 2020, a coleta comeƧou a ser feita de maneira remota, excepcionalmente por telefone.

“A nova reponderaĆ§Ć£o busca mitigar possíveis vieses de disponibilidade em grupos populacionais, intensificados pela queda da taxa de aproveitamento das entrevistas”, observou Adriana.

Pesquisa

De acordo com o IBGE, a Pnad Contínua é o principal instrumento para monitoramento da forƧa de trabalho no país. “A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE”, informou o Instituto.

A coleta de informaƧƵes da pesquisa por telefone é feita desde 17 de marƧo de 2020. A identidade do entrevistador pode ser confirmada no site Respondendo ao IBGE ou via Central de atendimento (0800 721 8181), conferindo a matrícula, RG ou CPF do entrevistador, dados que podem ser solicitados pelo informante.

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